Quer aumentar o resultado de sua contribuição no Conselho? Comece olhando para si!
Atualizado: há 5 dias
Por Wanderlei Passarella, sócio-fundador do CELINT
Queria compartilhar como foi atuar em meu primeiro Conselho. Isso ocorreu em 1998.
Cheguei na primeira reunião totalmente perdido, não tinha formação alguma na área. Mas, principalmente não sabia como me posicionar, o que seria relevante ou o que seria demonstrar fraqueza e desconhecimento e, ainda, o que seria adequado devido às minhas experiências.
Levei mais de um ano para ter um entendimento mínimo, mas não consegui contribuir a contento. Faltava me conhecer melhor. Entender no que poderia contribuir de fato, onde eu deveria me desenvolver e onde deixar espaço para outros.
Afinal, quem sou eu, quais são meus atributos e quais são as minhas limitações, moldadas por experiências, traumas e barreiras? Será que tenho consciência dos meus preconceitos, paradigmas e da visão de mundo que fui formando ao longo da vida?
Na vida como ela é nos Conselhos, aprendi que o autoconhecimento é o fundamento silencioso da Governança eficaz. Sem essa clareza interna, nosso papel pode ficar raso. É no cultivo constante do olhar para si que conseguimos ir além da técnica e do compliance.
Trabalhar esses aspectos é uma jornada para a vida toda. E, na medida em que o fazemos, percebemos que o olhar para o outro se amplia, tornando-se mais rico. Surge a capacidade verdadeira de colaborar e formar uma equipe capaz de enfrentar problemas complexos, unindo diferentes expertises com propósito comum.
Dessa forma, criamos condições para o “teaming”, conceito que se aplica para aqueles que se reúnem para tomar decisões em conjunto, sem estar num time que se encontra constantemente, mas sim esporadicamente.
Também adquirimos essa humildade para o confronto x consenso, aprendendo a lidar com o feedback — até aquele mais difícil — como uma forma de ampliar nosso horizonte e entendimentos.
A empatia, por sua vez, deixa de ser um conceito distante e vira a base que une um grupo, fazendo das diferenças um recurso para gerar soluções melhores.
Tudo isso nos traz para entender que governar não é apenas formalidade ou técnica, mas um verdadeiro sacerdócio que exige profundidade, compromisso e integridade.
Essa travessia não é luxo nem opção. É condição fundamental para quem deseja liderar com autenticidade, gravidade e sabedoria. Afinal, Governança é, antes de tudo, uma disciplina humana.
Avante!







Comentários