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O FUTURO DOS CONSELHEIROS E O CONSELHEIRO DO FUTURO

Por Wanderlei Passarella - Founder & Chairman no CELINT


Aquela reunião estava ficando extensa. Estávamos todos, Conselheiros e Acionistas, discutindo como ter um sistema de crédito que pudesse abranger todos os tipos de operações comerciais da empresa (eram muitas) e, ao mesmo tempo, que diminuísse os riscos melhorando as vendas. O que te parece? Comum em reuniões de Conselho esse tipo de debate?


Esse tem sido o óbice, em Conselhos de empresas de capital fechado, para que a Governança realize aquilo que ela deveria de fato se ater: trabalhar o direcionamento estratégico, alinhando o pool de talentos e a liderança para esse futuro, e praticando um “oversight” sobre a saúde geral da empresa.


É comum que as agendas descambem para situações do tipo descrito acima: questões que são operacionais e que deveriam ser monitoradas pelo Conselho, de tempos em tempos, e não ser uma pauta para o Conselho trabalhar conjuntamente na solução. Na melhor das hipóteses poderia ser criado um Comitê específico para ajudar na concepção desse sistema, fora da reunião de Conselho.


É isso que vejo como o futuro dos Conselheiros: terem uma clareza muito grande de qual é o seu escopo para contribuírem de fato com a criação de valor em longo prazo e, assim, buscar o que chamo de “perenização adaptativa”. Conhecer tecnologias, transformação digital, IA, e outros será necessário, mas não um fim em si mesmo. O Conselho sempre conta com especialistas externos ou internos da empresa para se aprofundar sobre isso, quando requerido. O que faz a diferença mesmo é o quanto o Conselheiro exerce o seu papel e o faz valer nas reuniões!!!


Muitas designações estão sendo criadas para os Conselheiros: Conselheiro X, Conselheiro Y, etc. São formas, a meu ver, limitadas e que até desvirtuam o verdadeiro papel deste profissional. Pois seu verdadeiro escopo está no que descrevemos acima.


O Conselheiro do Futuro, portanto, é aquele que tem profundo conhecimento sobre o seu papel, e que sabe diferenciar a Governança da Gestão, bem como sabe como fazer para estas se complementarem de forma produtiva. Visa a criação de valor para a empresa em longo prazo e traz isso para a agenda das reuniões. Conhece as novas tecnologias o suficiente para poder entender como elas se aplicam, mas não é, e nem precisa ser, um especialista sobre elas. Por fim, e talvez mais importante, desenvolve constantemente seus skills de Governança, especialmente os “soft skills” para lidar com as questões humanas de acionistas, executivos chave, familiares e outros Conselheiros.


E então? Está se preparando para esse futuro?


CELINT - Centro de Estudos em Liderança e Governança Integrais




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