Somos também aquilo que nos permitimos ser

Por Dra. Adriana Abud - Médica de formação pela USP, Ouvidora Certificada pela ABO - Associação Brasileira de Ouvidores/Ombudsman, Executiva de Projetos e em Empresas de diversos segmentos

Artigo | Somos também aquilo que nos permitimos ser
Artigo | Somos também aquilo que nos permitimos ser

Sabe aquele ditado: "Diga-me com quem tu andas, que direi quem és?" Antigo e tão crucial no exercício ético da sociedade, inclusive no ambiente de negócios.

O tema está muito bem tratado por Luis Fernando Vílchez, no livro de sua autoria: Inteligência Moral.

Para compreendermos, dizemos que inteligência moral é a capacidade de raciocinar com bondade e justiça, em termos do que nos torna as pessoas melhores, mais humanas. Enfim, é a capacidade de separar "o joio do trigo" e decidir o que se deve fazer com o pensamento racional, sem emoção.

Para aplicar a moralidade crítica no dia a dia, temos que unir as competências e habilidades mental, emocional e social, e assim pensar, agir e fazer o bem. É a competência para resolver dilemas morais e fazer juízos morais corretos.

Por que, diante uma decisão estratégica de negócios, uma pessoa pediria conselhos a algumas profissionais e não a outros?

O fato é que aliado ao grande poder decisório promovido por números e indicadores usados pelos executivos e C-Levels, o que permeia uma boa prática na seara empresarial é ponderar dados sobre teses humanitárias, sociais e ecologicamente sustentáveis. Não é errado dizer que nos próximos anos, os planejamentos estratégicos terão sustentação por gestores, líderes e times com notáveis em inteligência moral, o que, com outras palavras, é o mesmo que dizer que “a autoridade moral será o combustível do futuro”.

Vemos que as empresas com melhores práticas em ESG - Environmental, Social and Governance (em português, Ambiental, Social e de Governança) estão se destacando em suas atividades, com crescentes resultados financeiros e perenizando suas marcas como referências e, principalmente, preferência dos consumidores.

Por detrás destas empresas, conhecemos algumas pessoas dotadas de inteligência moral. Aquela que não pode faltar como exemplo é a Luiza Helena Trajano, Presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza, cidadã e voluntária em ONGs de empoderamento de mulheres e de proteção à vida. Com certeza, ela é alguém que vale a pena estar perto e ouvir seus conselhos.

A inteligência moral permite a generosidade em compartilhar o que se sabe, praticar com ética o que nos propomos fazer e ter humildade em aprender e expandir os saberes sobre o que ainda não se sabe ou conhece.


Pela Teoria das Inteligências Múltiplas, de Howard Gardner, a inteligência moral, portanto, é uma das inteligências de que o ser humano está dotado, porém a ser desenvolvida, se não for a predominante.


Tal condição também exige a interface entre as inteligências lógica, interpessoal, interpessoal e ecológica! Sem esse trânsito cognitivo e emocional não há substrato para a inteligência moral.

Portanto, ao se compreender que a prática ESG não é algo novo, e sim a busca da concretização humana de suas inteligências, poderemos encontrar mais soluções equilibradas para as demandas éticas em que estaremos pautados nos conselhos de administração e consultivos, usando a empatia e o discernimento.

Harmonizar as relações empresariais pela inteligência moral inclui profissionais capacitados e hábeis em comunicação não violenta, mediação, temperança, sanidade plena e o distanciamento para a objetividade.

Após grande busca de referências por todas essas competências, encontramos no Livro A Reinvenção da Empresa - Projeto Ômega, de Wanderley Passarella, e outras obras de sua autoria, o pensar da Governança Corporativa Integrativa, valiosa e contemplativa de todos estes assuntos e muito mais. Nós, profissionais C-levels, deveríamos fazer desta leitura parte da “vida com qualidade” no porvir pós pandemia, pois habita em nós, conselheiros por vocação e profissão, o mais profundo propósito de servir a uma sociedade justa, emponderada, racional e estratégica!

É questão de nos unirmos em torno de um novo senso, o consenso da diversidade de opiniões pautadas pelo profissionalismo e respeito.


Você já está preparado para esta nova jornada? Eu sim, sou Conselheira Consultiva Certificada!

Dra. Adriana Abud é médica de formação pela USP, Ouvidora Certificada pela ABO - Associação Brasileira de Ouvidores/Ombudsman, Executiva de Projetos e em Empresas de diversos segmentos. Atualmente dedica-se ao segmento da cadeia dos alimentos como consultora. É voluntária destacada da Campanha do Dia Mundial da Segurança dos Alimentos da FAO/ONU em 2019 e 2020. Também é a idealizadora do portal e aplicativo Ouvidoria Alimentar®. É Conselheira Consultiva Certificada Concertif®. Em seu novo desafio, participa como Fundadora e eleita Diretora da ABC3 - Associação Brasileira de Conselheiros Consultivos Certificados, Gestão 2021/2022.



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