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GOVERNANÇA: AINDA É ALGO PARA INGLÊS VER?

Por Wanderlei Passarella - Founder & Chairman no CELINT


Os debates em torno de casos de fraudes e outros problemas em empresas nacionais, que recentemente vieram à mídia, nos deixa inquietos com um ponto importante: o que tudo isso significa no cenário de Governança das empresas brasileiras? Há luzes vermelhas acesas? A Governança existe para dar uma roupagem de seriedade para alguém que insiste em pular a cerca?



Antes de tudo, é preciso entender que há dois tipos básicos de Governança, como deixo claro no cap. 3 de meu livro “Conselheiro de Empresas” (www.celint.net.br/conselheirodeempresas). Há a formalista e a construtivista. Na pg. 75 clarifico a diferença entre ambas:


“...Se, na origem da governança corporativa, o ativismo de acionistas minoritários gerou um sistema complexo de relações de poder, controle, mitigação de riscos e solução de conflitos – constituindo o modelo formalista ou outside-in -, sua evolução e adoção espontânea por empresas de capital fechado delineia um novo modelo – construtivista ou inside-out –, os quais se complementam na forma e conteúdo.”

“Enquanto no modelo formalista as empresas de capital aberto são obrigadas por lei a adotar um conjunto de práticas de governança, no construtivista não é assim. As empresas de capital fechado, familiares, e pequenas, não têm obrigação de ter governança – adotam-na porque entendem que isso vai trazer bons resultados. A diferença é crucial. Nas empresas que optam pela via formalista, o conselho, algumas vezes, segue apenas uma pauta obrigatória, voltada para as normas regulatórias. Podem inclusive se tornar conselhos do tipo “rubber stamp board”, isto é, apenas bate carimbo e assina embaixo das decisões do CEO, se estas estiverem conformes com o que exige a lei. Com isso, as empresas podem correr riscos, porque as leis estão muito mais rígidas e os conselhos têm que exercer os seus deveres, mas ainda assim pode acontecer um desvio de finalidade do seu papel...”


Parece-me que quanto mais regulamentações, mais aparecem brechas para furá-las...é cultural...o que trago para reflexão é que a base construtivista é a que deve orientar a adoção de uma Governança. E este é um dos principais motivos para as empresas de capital fechado: o potencial de transformação que uma Governança traz e os resultados significativos, acima de média, que são sua consequência prática, como mostro no cap. 7 do livro.


Assim, concluo que pode haver, de fato, “maquiagem” ou “governancewashing” em algumas empresas de capital aberto, mas a visão construtivista vem ganhando espaço, principalmente nas empresas familiares, pelo salto qualitativo e resultados que ela traz para aquelas que a adotam!!! Ok, as luzes vermelhas estão acesas, mas há luzes verdes brilhando em quantidade muito maior. Somos testemunhas disso no CELINT - Centro de Estudos em Liderança e Governança Integrais.




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